8.1.11

Podes ir, mas nunca mais voltes

"Passo horas e horas a perguntar porque gostei de ti. Quer dizer, tu vais sempre além dos limites de qualquer um, de qualquer coisa dita 'normal'. Ou és muito alto, ou muito baixo, demasiado novo ou demasiado velho. Tens o gosto mais afinado como por momentos, nem sei do que gostas devido à tua incapacidade de estabilidade, tens o sorriso mais caloroso do mundo, como do nada és frio como gelo. Por momentos és tão perfeito, que me esqueço de todos os teus defeitos.
É como se tivesses duas faces, duas máscaras, és como um íman e, eu não apenas tenho uma face igual à tua. Jamais poderíamos ser compatíveis.
O que me deixa mais baralhada é essa tua maneira de ser, de pensar que tudo é fácil de se resolver, que nada é um drama. Nunca vamos poder estar verdadeiramente juntos, por todas as razões e mais algumas (muitas delas que nem eu sei explicar). A verdade é que tu, és o meu drama!
Se eu pudesse escolher quem amar, juro que serias a minha última escolha. Ou talvez não. Passas o limite de qualquer um, e esse teu desejo incontrolável de aventura é algo que ainda vive em mim. Foi como se tu fizesses a minha vida dar uma completa reviravolta. Fizeste-me pensar em coisas impensáveis, em viver momentos inesquecíveis, em sentir algo sem uma explicação concreta. Fizeste-me apenas sentir, sentir com muita força.
E agora o vento que me bate na face, nunca me pareceu tão doloroso como hoje. Nunca tinha sentido a chuva com tanta intensidade no corpo. Nunca reparei que as pedras da calçada são assim, tão frias. Esqueço-me mesmo com muita facilidade dos teus defeitos: a instabilidade que te caracteriza. Hoje, enquanto a chuva cai e, me escorre pelas faces, vai disfarçando as lágrimas que teimam em cair. Não há diferença entre chuva e lágrimas.
As tuas múltiplas facetas começam a cansar-me. Eu estou cansada. Cansada de esperar por ti, cansada de te esperar de braços abertos, esperar por ti, tu que és o meu drama!
Eu abri-te a porta do meu coração, dei-te uma chave, e tu partis-te a fechadura. Tu simplesmente partis-te. Partis-te em todos os sentidos possíveis. Partis-te e não reparas-te. Partis-te e não voltas-te."

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Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risado do ridicúlo, e choro quando quero.