23.2.11

Já não aguento mais

Pode ser difícil acreditar que algumas amizades actualmente ainda comecem com risos altos e longos, que preenchem aquele vazio monótono do tédio. Por alguns segundos, o riso cura-lhe daquela angústia de momento que nós não sabemos por que ou quando se formou, mas parece um peso no estômago que incomoda. A vida parece de repente sem pretensão, verdadeira, e com aquele sentido que nós perguntamos quando as coisas dão errado: “Deve haver algo mais nessa vida”.Nesses começos de amizade, você identifica-se, sente-se à vontade, desinibido, e o “para sempre” parece verídico - tão verídico que você finalmente acha que os finais de contos de fadas têm lá seu sentido. Mas existe excepções, meu amigo, malditas excepções que se camuflam na nossa parede de felicidade, e como cupins que degradam uma madeira, basta um pouco de esforço do tempo para descobrirmos que aquela base que nós achávamos que seria eterna caia e nos machuque. Mas acredite: a compreensão tardia dos avisos machuca muito mais do que as farpas rasgando a seca pele. Eu queria ter acreditado em ti quando me guises-te avisar-me para rever no que eu estava lidando. Como é que uma nova amizade pode prejudicar tanto uma antiga, eu me pergunto. Mas estragou, e me cegou. E nesse jogo de confusão do porque ele é algo pessoal, se pararmos para perceber. Você, meu amigo, diria que isso é apenas o positivismo em minha mente, mas eu acho que o que parece ser fingimento para ti pode não parecer verdadeiro com o falso, eu me perdi, e perdi tudo. As pessoas mentem e fingem, agora eu entendo. Agradeço por ter me avisado mesmo sabendo que de nada adiantaram. O fingimento é algo engraçado para outra pessoa, já parou para perceber isso? Mas do que adianta esse mistério das individualidades se sou eu mesmo o que importa? Eu queria falar tudo, falar muito talvez, como se o tamanho da minha fala fosse o tamanho do meu arrependimento, ou como se admitir todos os meus erros fosse o suficiente para você reencontrar aquela parte perdida de mim mesmo. Tudo o que eu queria mesmo era seu perdão, mesmo isso parecendo meio falso demais para se dizer, mas as coisas só parecerão reais quando acontecerem contigo mesmo. Eu errei e perdi… e agora preciso daquele abraço de consolo que você disse que sempre estaria presente quando eu precisasse. E embora todas as desavenças, todos os meus erros… eu espero que ainda esteja aí. Espero que me entenda. Ou, mesmo se não me entender, me ajude a superar. Sinto saudade da forma que você me fazia rir depois da passagem da tormenta. Eu quero voltar a rir com as verdades. Eu preciso.

1 comentário:

Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risado do ridicúlo, e choro quando quero.