Podemos voltar atrás? Diz-me que podemos voltar atrás, só uma vez.Tu não me deixas desamparada, eu corro atrás de ti como uma louca. Nada nos vai separar. Diz-me que queres voltar. O amor não morreu, vive revolto, urgente, deixa-me voltar atrás, só mais uma vez. Viver tudo de novo, a intensidade de chegar, de me envolveres nos teus braços compridos, quentes. Diz-me que vais lá estar para me receber. Desejar-me, alucinado de prazer. Esse amor, adiado, sobreviveu. À dor, à distância, à derrota. O amor esteve internado, em coma, intoxicado, mas não morreu. Diz-me que podemos voltar atrás, só uma vez. Começar de novo, o que não acabou e ficou suspenso no ar. Pairou com o pó do tempo, num tecto gigante, envolto nas teias da incompreensão. Enredado, na desilusão que o mortificou por dentro Num espectro vaziu, gelado, abandonado. Sobreviveu! Imune ao calendário monótono, aos dias e noites sós. Aparece, ferido mas vitorioso. Feroz e genuído, como antes, de paixão e embriaguez . Por isso diz-me, só hoje, que podemos voltar atrás, outra vez.
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Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risado do ridicúlo, e choro quando quero.